Chamada para publicação: Festivais e Mostras Audiovisuais - olhares e perspectivas

 ISSN 2316-9230  

          Assistimos nas últimas décadas ao crescimento do número de estudos acadêmicos dedicados a discutir o fenômeno dos festivais cinematográficos, um movimento certamente impulsionado pelo aumento do número desses eventos em várias partes do mundo desde os anos 1990, bem como pelos caminhos abertos pelos estudos da Nova História do Cinema que mobilizaram pesquisas sobre circuitos de exibição, circulação e culturas fílmicas.

            Nesse contexto, pesquisadores sobretudo da Europa se destacaram na produção de estudos pioneiros, consolidando um primeiro corpo de trabalhos que buscavam definir um objeto e discutir teorias e métodos de abordagem (De Valck 2007; Iordanova 2009; Harbord 2009; Wong 2011), mas também na criação de espaços para o debate e divulgação das pesquisas em redes internacionais, a partir da Europa, como a Film Festival Research Network e o grupo de trabalho sobre film festivals do NECS.

            No Brasil, observamos o aumento das pesquisas, particularmente na última década, com destaque para trabalhos em diálogo com essa bibliografia internacional (Dylan 2019; Garrett 2020; Mager 2019, 2021; Mattos 2018; Melo 2018; Pires 2019; Silva 2012). Observando o perfil dessas reflexões, é possível notar algumas particularidades dos estudos sobre festivais audiovisuais no país, que conta com um circuito extenso contabilizando 349 eventos em 2019 (Corrêa, 2020). Grande parte dos trabalhos são voltados para um único festival ou para abordagens comparativas de um ou mais eventos, à exceção dos estudos diagnósticos. Os circuitos internacionais não são, assim, alvo privilegiado das pesquisas, ainda que haja a preocupação de situar os trabalhos em relação aos contextos globais.

Desse modo, enquanto em outros países latinoamericanos, como destacam Vallejo e Peirano (2020), algumas das primeiras pesquisas acadêmicas publicadas sobre festivais se voltavam para pensar as cinematografias dos países dessa região nos circuitos internacionais de festivais, tendo como objeto de análise grandes eventos como Cannes, Veneza e San Sebastián, os trabalhos brasileiros se voltaram muito mais para a compreensão das dinâmicas do contexto festivaleiro nacional. As relações entre os festivais nacionais e outros circuitos regionais e globais são temáticas que permanecem pouco exploradas, tópicos que permitiriam pensar as conexões entre as trajetórias dos eventos cinematográficos no Brasil às discussões sobre os festivais em nações e cinematografias periféricas (Amieva, Peirano 2018; Campos-Rabadán 2020; Peirano 2020; Stringer 2016)

            Tendo como ponto de partida a realização da live de agosto de 2020 na Socine em casa “Festivais de cinema como objeto de pesquisa: métodos e práticas”, o presente dossiê busca reunir trabalhos voltados para os desafios e questões envolvidos nos estudos de festivais de cinema e audiovisual, abarcando diferentes metodologias e abordagens teóricas. Convidamos os autores a enviar suas contribuições, com especial atenção aos textos voltados para os festivais audiovisuais realizados no Brasil e na América Latina, sugerindo os temas a seguir:

 

  1. Desafios metodológicos da pesquisa de festivais: fontes, objetos e métodos;
  2. Geografia e geopolítica dos festivais audiovisuais: a formação de circuitos festivaleiros;
  3. Relações e trocas dos Festivais Brasileiros/Latinoamericanos com eventos internacionais, particularmente no espaço iberoamericano;
  4. Festivais especializados e seus sub-circuitos incluindo diferentes metragens, gêneros, formatos, perfis e temas;
  5. Políticas culturais, economia da cultura e festivais audiovisuais;
  6. História dos festivais audiovisuais e seu impacto na história do cinema;
  7. Curadoria e programação de mostras e festivais;
  8. Festivais, mostras e circuitos alternativos de exibição cinematográfica;
  9. O cinema brasileiro nos festivais internacionais: passado e presente;
  10. Festivais de cinema, turismo e experiências de cidade;
  11. Questões teóricas na pesquisa de festivais “menores” e cinematografias “periféricas”;

O prazo para envio dos artigos vai até o dia 22 de junho de 2021 e o dossiê será publicado no número 20, de jul-dez de 2020, da Rebeca - Revista Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual. Normas e submissão: https://rebeca.socine.org.br/1/about/submissions.

Organizadoras:

Izabel Melo

Juliana Muylaert

Tetê Mattos

 

Bibliografia

AMIEVA, Mariana; PEIRANO, Maria Paz. Introducción: encuentro en los márgenes: festivales de cine y documental latinoamericano. CineDocumental. N 18. 2018.

CORRÊA, Paulo Luz. Os Festivais Audiovisuais Brasileiros em 2019: Geografia e Virtualização. São Paulo: Kinofórum, 2020.

DE VALCK, Marijke. Film festivals: from european geopolitics to global cinephilia. Amsterdam: Amsterdam University Press, 2007. 276 p.

DE VALCK, Marikje; KREDELL, Brendan e LOIST, Skadi (orgs). Film Festivals – History, theory, method, practice. London and New York: Routledge, 2016.

DYLAN, Emerson. O Festival e a cidade. A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo como um espaço de sociabilidade na capital paulista. CSOnline. N. 29. 2019. p. 33-44.

GARRETT, Adriano. A curadoria em cinema no Brasil contemporâneo: festivais de cinema e o caso da Mostra Aurora (2008-2012). 2020. 176 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação), Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2020.

IORDANOVA, Dina; Rhyne, Ragan (Orgs.). Film Festival Yearbook 1: The Festival Circuit. St Andrews Film Studies, 2009.

MAGER, Juliana Muylaert. É tudo verdade? cinema, memória e usos públicos da história. 2019. 221 f. Tese (Doutorado). Instituto de História, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2019.

MATTOS, Tetê; LEAL, Antônio. Festivais audiovisuais: diagnóstico setorial 2007 – indicadores 2006. Rio de Janeiro: Fórum dos Festivais / MinC/SAv, 2007. 89 p.

________. Painel setorial dos festivais audiovisuais – indicadores 2007 - 2008 - 2009. Rio de Janeiro: Fórum dos Festivais / MinC/SAv, 2011. 63 p.

MELO, Izabel de Fátima Cruz. Cinema, circuitos culturais e espaços formativos: sociabilidades e ambiência na Bahia (1968-1978). 2018. 224 p. Tese (Doutorado em Meios e Processos Audiovisuais) - Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.

MORAES, Maria Teresa Mattos de. O Festival do Rio e as configurações da cidade do Rio de Janeiro. 2018. f. Tese (Doutorado em Comunicação), Faculdade de Comunicação Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.

PEIRANO, Maria Paz. Mapping histories and archiving ephemeral landscapes: strategies and challenges for researching small film festivals. Studies in European Cinema, v. 17, n. 2. 2020. p. 170-184.

PIRES, Bianca Salles. A formação de públicos cinéfilos: Circuitos paralelos, Museus e Festivais Internacionais. Tese (Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019.

SILVA, Marcos. Territórios do desejo: performance, territorialidade e cinema no Festival Mix Brasil da Diversidade Sexual. 2012. 370 f. Tese (Doutorado em Antropologia Social) - Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina. 2012.

VALLEJO, Aida; PEIRANO, Maria Paz. Editorial Festivales de cine en América Latina: Historia y nuevas perspectivas. Comunicación y Medios. N. 42. 2020.

WONG, Cindy Hint-Yuk. Film Festivals. Culture, people and power on the global screen. London: Rutgers University Press. 2011.



Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia