O desvio em Guy Debord e a crítica ao cinema espetacular
DOI:
https://doi.org/10.22475/rebeca.v14n2.1141Palavras-chave:
Guy Debord, Cinema, Desvio, Crítica, CapitalismoResumo
Este artigo trata da crítica que Guy Debord dirige simultaneamente ao cinema e ao modo de vida capitalista utilizando-se do próprio cinema e da técnica do desvio (Détournement), uma técnica cujo fundamento consiste em se apoderar dos signos de um discurso e fazer com que se voltem contra seu enunciador. Debord mobiliza este dispositivo pela recontextualização dos fragmentos de diferentes obras do cinema, da literatura e da publicidade em seus filmes. A pesquisa, portanto, busca relacionar crítica social e crítica ao cinema na obra cinematográfica de Debord, para quem a lógica do capitalismo avançado teria reduzido a vida ao mero consumo de imagens, incluindo o cinema comercial que estaria, assim, a serviço deste propósito. Tal ideia está contida no conceito debordiano de sociedade do espetáculo e possui grande influência teórica de Marx. Nesse sentido, o artigo ressalta o materialismo histórico e a dialética de Marx como fundamentos filosóficos da técnica do desvio e faz referência à influência teórica dos autores marxistas Henri Lefebvre e Georg Lukács com o objetivo de abordar o desvio como uma técnica formal ou um tipo de montagem que, pela influência teórica de Marx, extrapola o universo do cinema para constituir-se em uma crítica social, estética e política.
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