Domésticas - o filme (2001) e O casamento de Louise (2001)

Uma virada crítica nos “filmes de domésticas”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22475/rebeca.v14n2.1216

Palavras-chave:

Trabalhadoras Domésticas, História Social, Cinema Brasileiro, Gênero

Resumo

Partindo-se da perspectiva da História Social, aliada aos Estudos de Gênero como categoria de análise, e da abordagem multicultural de Douglas Kellner (2001), este artigo analisa os filmes Domésticas – o filme (2001) e O Casamento de Louise (2001), que apresentam trabalhadoras domésticas. Entendemos estes filmes inseridos no que chamamos de subgênero “filmes de domésticas”, representantes de uma virada crítica dessas produções. Tal transição acompanha o contexto da virada do século XX para o XXI, de ascensão e estabelecimento do neoliberalismo no Brasil enquanto um projeto político-econômico de acumulação flexível e destituição de direitos trabalhistas. O trabalho doméstico remunerado como categoria real foi e é mercado pela conquista tardia de direitos diante de longas e históricas lutas travadas pela própria categoria aliada a movimentos sociais. Compreendemos, com esta discussão, que as mudanças estruturais, trouxeram também mudanças de paradigmas para os “filmes de domésticas” que, por mais que continuem a reproduzir estereótipos e estigmas da categoria, passaram a conter críticas sociais baseadas numa alteridade social.

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Biografia do Autor

Vit Tiscoski Ramos, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Membro do Núcleo de Estudos em História e Cinema (NEHCINE).

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Publicado

2026-01-05

Edição

Seção

Temáticas Livres