A tradição do tempo
A transfiguração do ato contemplativo da poesia ao cinema
DOI:
https://doi.org/10.22475/rebeca.v14n2.1264Palavras-chave:
Poética cinematográfica, Cinema contemplativo, Tempo poético, Experiência estética, Cinema e literaturaResumo
O lirismo contemplativo, profundamente associado à tradição poética e mística cristã, transfigurou-se ao migrar da literatura para o cinema. Cineastas como Andrei Tarkovsky, Ingmar Bergman, Lars von Trier, Terrence Malick, Martin Scorsese, Chantal Akerman e Denis Villeneuve ressignificaram a experiência estética do “tempo poético”, preservando uma sensibilidade que perdeu centralidade em grandes segmentos da literatura moderna e contemporânea. Ao enfatizar o tempo expandido, a economia discursiva e a imagem como meios privilegiados de experiência sensorial, o cinema contemplativo atualiza o papel meditativo outrora desempenhado pela poesia, instaurando novas formas de percepção do tempo e do silêncio, seja na representação do sagrado ou no registro crítico do cotidiano. Posicionar o cinema como herdeiro dessa poética permite, em última análise, uma compreensão renovada das relações entre espiritualidade, arte e tempo na cultura contemporânea.
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