O sagrado fragmentado
Pluralismo religioso e colapso da fé no horror cinematográfico de O exorcista: o devoto (2023)
DOI:
https://doi.org/10.22475/rebeca.v15n1.1289Palavras-chave:
O exorcista, Horror religioso, Cinema contemporâneo, Narrativa audiovisualResumo
Lançado em 2023 como continuação direta do clássico O exorcista (1973), o filme O exorcista: o devoto retoma a temática da possessão demoníaca sob novas condições culturais e espirituais. O artigo compara os dois filmes a partir da análise da cena de exorcismo, com atenção à mise en scène e à forma como cada obra constrói sua resposta ao mal. Também se analisa o retorno da personagem Chris MacNeil, cuja presença evoca o contraste entre um tempo em que o exorcismo ainda passava por mediações institucionais e um presente em que essas referências se fragmentam. A partir de uma abordagem comparativa, que articula elementos dos estudos de cinema e da sociologia da religião, investiga-se como a fé se transforma quando não encontra mais mediações estruturantes que lhe deem forma. O contraste entre as duas obras evidencia o esvaziamento da ritualidade sacramental e a dificuldade de se constituir, no presente, um repertório coletivo de enfrentamento do mal, cujas imagens, outrora ordenadas pela autoridade religiosa, hoje se dispersam em performances subjetivas e crenças concorrentes.
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