Políticas do audiovisual brasileiro
Um caminho para pensar a potência da multicentralidade na criação e na produção audiovisual contemporânea
DOI:
https://doi.org/10.22475/rebeca.v14n2.1328Palavras-chave:
Poética relacional dramatúrgica, Indutores regionais, Cinema brasileiro, Audiovisual regionalResumo
O artigo oferece panorama historiográfico que aponta para um pequeno aumento quantitativo e qualitativo (e sua posterior retenção) na amplitude social e regional do alcance das políticas públicas setoriais audiovisuais federais, articuladas com ações de âmbito estadual, municipal e também com a sociedade civil organizada, em um recorte temporal compreendido entre 1993 e 2019. Com o objetivo de sublinhar o impacto positivo da continuidade no desenvolvimento, no aprimoramento e na aplicação das referidas políticas setoriais, percorre estudos que discutem os aspectos culturalistas, distributivistas, universalistas e concentracionistas implicados na atividade audiovisual ao longo dos anos. Neste percurso, observa que indutores de regionalização somente foram introduzidos nos programas, linhas e editais de financiamento federais pelas equipes de formuladores de políticas públicas setoriais que atuaram a partir do início do século XXI. Por fim, o artigo delineia uma relação entre a adoção dessas políticas setoriais mais distributivistas e o surgimento, na segunda década do século XXI, de novas poéticas relacionais dramatúrgicas cinematográficas, multicentradas, populares e não massificadas, fora dos locais e dos segmentos sociais tradicionais que concentram a produção audiovisual do Brasil.
Downloads
Referências
AMANCIO, Tunico. Artes e manhas da Embrafilme. Niterói: EdUFF, 2000.
ANCINE - Agência Nacional do Cinema. Uma nova política para o audiovisual: Agência Nacional do Cinema, os primeiros 15 anos. Rio de Janeiro: Ancine, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/ancine/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/livros/ancine-15-anos-web-final-em-baixa2.pdf. Acesso em: 30 dez. 2025.
ANCINE - Agência Nacional do Cinema. Participação por gênero e por raça nos diversos segmentos da cadeia produtiva do audiovisual, 2011-2021. OCA, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/ancine/pt-br/oca/publicacoes/arquivos.pdf/Estudo%20genero%20e%20raca%20no%20setor%20audiovisual.pdf. Acesso em: 30 dez. 2025.
ANCINE - Agência Nacional do Cinema. Anuário Estatístico de 2022 da Agência Nacional do Cinema (ANCINE). OCA, 03 de maio de 2024. Disponível em: https://www.gov.br/ancine/pt-br/oca/publicacoes/arquivos.pdf/anuario-2022r.pdf. Acesso em: 30 dez. 2025.
ANCINE - Agência Nacional do Cinema. Painel Agentes Econômicos da ANCINE. OCA, 26 de maio de 2025. Disponível em: https://www.gov.br/ancine/pt-br/oca/paineis-interativos-1/paineis-interativos-subsecao-agentes-economicos-do-audiovisual/painel-agentes-economicos. Acesso em: 30 dez. 2025.
AUTRAN, Arthur. O pensamento industrial cinematográfico brasileiro. Tese (Doutorado), Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2004.
AUTRAN, Arthur. A noção de “ciclo regional” na historiografia do cinema brasileiro. Revista Alceu, Rio de Janeiro, v. 10, n. 20, p. 116-125, jan./jun. 2010. Disponível em: https://revistaalceu-acervo.com.puc-rio.br/media/Alceu20_Autran.pdf. Acesso em: 30 dez. 2025.
CALABRE, Lia. Revelando os Brasis: o projeto. Políticas Culturais em Revista, Salvador, v. 4, n. 2, p. 67-79, 2011. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/pculturais/article/view/5598/4056. Acesso em: 30 dez. 2025.
CÂNDIDO, Márcia Rangel; MARTINS, Cleissa Regina; RODRIGUES, Raissa; FERES JÚNIOR, João. Raça e Gênero no Cinema Brasileiro (1970-2016). Boletim GEMAA, Rio de Janeiro, n. 2, 2017. Disponível em: https://gemaa.bemvindo.co/boletim-gemaa-2-raca-e-genero-no-cinema-brasileiro-1970-2016. Acesso em: 30 dez. 2025.
CATANI, Afrânio Mendes. Vinícius de Moraes, crítico de cinema. Perspectivas, São Paulo, n. 7, p. 127-147, 1984. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/perspectivas/article/view/1829. Acesso em: 30 dez. 2025.
CESARO, Caio Julio. Programadora Brasil forma banco de dados sobre exibição não comercial. Revista Filme e Cultura, n. 59, p. 84-85, 2013. Disponível em: http://bcc.cinemateca.org.br/textos/225936. Acesso em: 30 dez. 2025.
COSTA, Mannuela Ramos da. Cinema brasileiro independente no contexto contemporâneo: entre a ficção e a realidade. Tese (Doutorado). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.
EVANGELISTA, Milena Silvino. Regionalização da política de fomento ao audiovisual no Brasil: os arranjos regionais da Ancine. Dissertação (Mestrado). Universidade Católica de Pernambuco, Recife, 2022.
GLISSANT, Édouard. Poética da Relação. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
GOMES, Angela. As políticas públicas do audiovisual e a regionalização da produção: um olhar sobre o Norte. In: XXII Encontro Socine de Estudos de Cinema e Audiovisual, Goiânia, 23 a 26 de outubro de 2018, UFG. Anais [...]. São Paulo, 2018, p. 143-150. Disponível em: https://www.socine.org/wp-content/uploads/anais/AnaisDeTextosCompletos2018(XXII).pdf. Acesso em: 30 dez. 2025.
HOLANDA, Karla. DOCTV: a produção independente na televisão. Tese (Doutorado). Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2013.
IKEDA, Marcelo. Cinema brasileiro a partir da retomada: aspectos econômicos e políticos. São Paulo: Summus, 2015.
IKEDA, Marcelo. Das garagens para o mundo: movimentos de legitimação no cinema brasileiro dos anos 2000. Tese (Doutorado). Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2021.
IKEDA, Marcelo. O Fundo Setorial do Audiovisual: uma perspectiva histórica. Políticas Culturais em Revista, Salvador, v. 18, n. 1, p. 17-39, jan./jun. 2025. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/pculturais/article/view/64356/37757. Acesso em: 30 dez. 2025.
KIFFER, Ana; PEREIRA, Edimilson de A. Édouard Glissant e o mar sem margens do pensamento. In: GLISSANT, Édouard. Poética da Relação. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021. p. 9-22.
MARSON, Melina Izar. O Cinema da Retomada: Estado e cinema no Brasil da dissolução da Embrafilme a criação da Ancine. Dissertação (Mestrado). Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006.
MORAIS, Kátia Santos de. Produção independente, mercados de televisão e a política de fomento ao audiovisual no Brasil. Tese (Doutorado). Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2018.
MOREIRA, Fayga Rocha; BEZERRA, Laura; ROCHA, Renata. A Secretaria do Audiovisual/MINC no governo Lula: políticas de cultura, políticas de comunicação. In: VI Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, 25 a 27 de maio de 2010, Salvador, UFBA. Anais [...], Salvador, 2010, [n.p]. Disponível em: https://audiovisualbaiano.com.br/midiateca/midiateca/a-secretaria-do-audiovisual-minc-no-governo-lula-politicas-de-cultura-politicas-de-comunicacao/. Acesso em: 30 dez. 2025.
MOREIRA, Fayga Rocha. Políticas culturais e comunicação no Brasil: o DocTV como estudo de caso sobre os desafios para promover diálogos interculturais. Tese (Doutorado). Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2014.
OLIVEIRA, Samantha Ribeiro. Cinema é cachoeira [e filmes são de plástico]: adivinhadores de cinemas contemporâneos e suas poéticas dramatúrgicas relacionais. Tese (Doutorado). Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2024.
ROCHA, Renata; LIMA, Carmem; COSTA, Leonardo. Políticas para a descentralização do audiovisual no Brasil: alcance, resultados e repercussões de dois programas de fomento na macrorregião CONNE. Salvador: UFBA, 2024.
SOUSA, Ana Paula. Dos conflitos ao pacto: as lutas no campo cinematográfico brasileiro do século XXI. Tese (Doutorado). Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2018.
SOUSA, Ana Paula. A crise do FSA durante o governo Bolsonaro: perseguição política ou problemas de fiscalização e governança? Políticas Culturais em Revista, Salvador, v. 18, n. 1, p. 114-138, jan./jun. 2025. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/pculturais/article/view/64443/37761. Acesso em: 30 dez. 2025.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Samantha Ribeiro de Oliveira

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.








