Escutei dizer que o toureio não é arte
As mentiras de O Touro Ferdinando
DOI:
https://doi.org/10.22475/rebeca.v15n1.1218Palavras-chave:
Filme, Tauromaquia, Defesa, TaurinoResumo
O filme O Touro Ferdinando, dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha e cuja estreia no Brasil ocorreu em 2018, é até hoje alvo de uma profunda e merecida aclamação do público, e sua permanência na rede de streaming Netflix o comprova. No entanto, todo o seu sucesso oculta uma série de equívocos sobre o que na Espanha, e em outros países, pode ser chamado de mundo taurino. As figuras do touro bravo, do toureiro e do ganadero são apresentadas no filme de maneira desconfigurada, caluniosa inclusive, com o que a crítica e a literatura taurinas permitem avaliar. Autores como Gabriel García Márquez, cuja faceta taurina é ainda escassamente abordada, Ernest Hemingway, Federico García Lorca, Mario Vargas Llosa, Camilo José Cela e o poeta brasileiro João Cabral de Melo Neto são vozes através das quais a tauromaquia pode ser contemplada sob respeito e admiração. Gêneros dos mais diversos destes autores (crônicas jornalísticas, poesias, romances e teoria) oferecem elementos que colaboram na problematização de ideias que o filme analisado ajudou e segue ajudando a disseminar. Este trabalho visa, portanto, realizar uma defesa sin complejos do mundo taurino.
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