Mal-estar e horror em Mormaço
Corpo, cidade e política neoliberal no Brasil contemporâneo
DOI:
https://doi.org/10.22475/rebeca.v15n2.1421Palavras-chave:
Horror social, Espaço urbano, Classe média, body horror, Corpo, MormaçoResumo
O artigo analisa Mormaço (Marina Meliande, 2018) como um exemplo de horror social no cinema brasileiro contemporâneo, investigando a articulação entre as convenções do gênero e os conflitos engendrados pelo avanço das políticas neoliberais. Ambientado no Rio de Janeiro às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2016, o filme acompanha uma defensora pública envolvida na resistência à remoção da Vila Autódromo, comunidade ameaçada pela especulação imobiliária e pela violência estatal. Ao mesmo tempo, ela é forçada a deixar seu apartamento em uma zona nobre da cidade e é acometida por uma misteriosa doença de pele. O artigo argumenta que, recorrendo ao fantástico e ao body horror, o filme busca estabelecer uma analogia entre corpo, cidade e economia, por meio da qual ele torna sensíveis as violências produzidas pela racionalidade neoliberal. Ancorada em um ponto de vista de classe média, essa analogia promove um discurso ambíguo sobre a própria classe média, que se mostra simultaneamente solidária às lutas populares e confortavelmente implicada nos mecanismos de exclusão que as produzem. Argumenta-se ainda que essa ambiguidade contamina a materialidade das imagens do filme, que frequentemente propõem ao espectador uma experiência sensorial de mal-estar marcada pela tatilidade, o motivo visual da mancha e a indeterminação/dissolução das formas. Por fim, o texto situa Mormaço no contexto do cinema brasileiro dos anos 2010, em diálogo com Aquarius (2016), Era o Hotel Cambridge (2016) e Trabalhar cansa (2011).
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