Crianças-crias de Manguinhos em cena
E seu discurso sobre o colonialismo através de sua experiência com o curta Meu nome é Maalum
DOI :
https://doi.org/10.22475/rebeca.v14n2.1145Mots-clés :
educação, cinemas negros, favelas, infânciaRésumé
Os primeiros passos desse texto se dão a partir da colocação de uma criança de sete anos em uma roda de conversa: “Se o mundo não tivesse nome íamos ter que inventar eles”. A proposta deste trabalho busca compreender como as crianças-crias, estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública de Manguinhos, um complexo de favelas no Rio de Janeiro, elaboram suas concepções entre o ser criança, o cinema na escola e o colonialismo a partir do curta-metragem Meu nome é Maalum (2022). As crianças-crias são crianças moradoras de comunidades cariocas que seguem um repertório de práticas culturais típicas das favelas (Rosa, 2019). A partir da história de Maalum, apresento, através de conversas, o conceito de colonialismo, respeitando o vocabulário, a capacidade de interpretação e a ordem curricular do respectivo ano letivo. A fala das crianças são o laço que entrelaça essa pesquisa, e em sintonia parto no primeiro momento em traçar as relações entre infância e colonialismo (Liebel, 2019; Lopez, 2008) e as formas que crianças hoje (Noguera, 2019) nos instigam a romper com suas velhas amarras (Kilomba, 2019; Fanon, 2008). Em segundo momento reflito sobre suas impressões acerca da narrativa fílmica negra (Hooks, 2023) de Meu nome é Maalum, suas percepções sobre as relações raciais (Bento, 2012) e a colonização (Césaire, 1978). Assim, através de relatos, falas e comentários das crianças, apresento suas primeiras impressões sobre o colonialismo e algumas produções resultantes dessa imersão nesse conceito tão abstrato, mas tão significativo para a infância. Conhecer Maalum através de sua narrativa audiovisual foi uma experiência que apresentou novos conceitos para as crianças-crias, elaborou reflexões sobre sua própria história de vida, como também lhes proporcionou um mergulho na ancestralidade africana através das imagens e sons do curta em questão.
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Références
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